Abracei Concreto

Colhi as roupas do varal
Como quem colhe as frutas do pomar
Do asfalto quente senti úmida terra
Os poros do concreto respiram, vasculham pele minha
Pele morta, meus tecidos

Suor daquela pele, orvalho de beber

Amanheci sob os frondosos pontiagudos
Medi os passos de cerâmica
O suave toque dos minérios, chuva tépida
E assisti o sol chorar
Me calei até ele se silenciar

Me espalhei em torno do seu fogo à noite a me aquecer

Das molduras, faz margem o céu de navegar
Me amanhece, rio pra’mar
Respirei a relva, petrolato
Despertei o orgânico do seu sonho geométrico
Descansei, torpor, sobre fluidos deletérios

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